Em Foco

Atualize-se

0 notes

Nem tudo está perdido

Por Rayane Cristine

         Com o julgamento do Mensalão pelo Supremo Tribunal Federal (STF) podemos perceber que ainda há esperança para o Brasil se tornar um país melhor, pois é um fato histórico para o STF condenar um político. Pois desde sua criação em 1824 isto nunca tinha acontecido. Dos 36 réus, 25 foram condenados. Dentre as acusações, estavam: Corrupção ativa, Corrupção passiva, Evasão de divisas, Peculato, Lavagem de dinheiro, Gestão fraudulenta e Formação de quadrilha. O ex-ministro da casa civil José Dirceu foi tido como o chefe da quadrilha do Mensalão.
         Dentre os 11 ministros que fizeram justiça em nosso país, são eles: Ayres Britto; Cármen Lúcia; Celso de Mello; Cezar Peluso; Dias Toffoli; Gilmar Mendes; Luiz Fux; Joaquim Barbosa, Marco Aurélio Mello; Ricardo Lewandowski; Rosa Weber. Mas dentre estes o que queremos ressaltar é o ministro Joaquim Barbosa, o seu histórico de vida é inspirador e deveria servir de exemplo para todos, nasceu em Paracatu, noroeste de Minas Gerais, filho de Pai pedreiro e mãe dona de casa, sempre estudou em colégio público, e foi eleito no dia 10 de outubro de 2012 presidente do STF, sendo o primeiro presidente negro da Corte Suprema.

         Nós brasileiros temos o costume de pensar que todo político é corrupto, mas isso não é verdade, pois ainda existem aqueles que atuam dentro da lei, é questão de saber escolher. Usando como exemplo o ministro Joaquim Barbosa, podemos dizer que a pobreza não foi um motivo que o impediu de chegar aonde ele chegou e melhor ainda, não foi um motivo para ele se deixar envolver apenas pelo dinheiro e esquecer os seus valores. A diferença é que para pessoas assim como o Joaquim Barbosa o caráter conta mais que a vaidade.

Filed under Editorial

0 notes

A roleta rodou

Por Rayane Cristine

                       Cotas

         No dia 6 de novembro de 2012, a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) publicou o edital de retificação do Vestibular 2013 para a aplicação da Lei de Cotas. O primeiro ano de implementação da lei, irá aplicar apenas o percentual mínimo exigido de 12,5 % sobre o total de vagas por curso e turno, isso significa reservar 862 vagas do total de 6.670 vagas para a entrada de 2013. Mas ao aplicar o percentual de reserva, alguns cursos não teriam nenhuma vaga em algumas modalidades. Sendo assim, a UFMG optou pela retirada de pelo menos uma vaga da livre concorrência para atender todas às cinco categorias que podem utilizar da reserva de vagas.
         Em minha opinião, esta decisão do governo de implementar Cotas nas Universidades deixa muito claro que eles apenas querem retratar os erros que eles cometeram e vem cometendo, como: Escravidão, Má qualidade de ensino público, Má distribuição de renda, entre outros. Só que eu acho que está não é a solução para resolver estes problemas, ao invés deles proporcionarem Cotas eles poderiam investir em uma educação de qualidade, justa e para todos. Pois a maioria de todos os problemas que acontecem em nosso país tem fundamento em nossa má qualidade de ensino. Talvez seja isso que o governo queira, pois uma sociedade com opinião formada daria muito mais trabalho para eles, porque as pessoas não aceitariam qualquer coisa que propulsem á elas e participariam mais nas decisões políticas do país. Assim, tiraria muito corrupto que hoje está no controle do nosso país.
         O que realmente me deixa indignada é o fato de por um lado ajudar, mas de outro prejudicar, pois dessa forma as pessoas da classe média desta vez que estarão sendo postas de lado. Uma vez que a classe alta tem condições de pagar boas escolas particulares, portanto tem maiores chances de passarem com boas notas no vestibular e se não virem a passar na federal isto não é problema, pois eles condições de pagar Universidades particulares. Já a classe pobre terá direito ás cotas e as pessoas de classe média não tem dinheiro para pagar Universidades caríssimas, e ainda vão ter que disputar suas vagas com pessoas muito mais bem preparadas do que elas, isto tudo devido à má qualidade de ensino do Brasil. Eu lhe digo não é cota que devemos criar e sim consciência na hora de votar.

Filed under Artigo de opinião

0 notes

Falando um pouco de religião

O seminarista jesuíta Bruno Franguelli fala um pouco da atuação dos jesuítas no Brasil e a busca por religiões  

Por Tayná Letícia

        Hoje em dia quase não se ouve falar de Jesuítas, mas estes ainda são presentes e atuam bastante em diferentes esferas da sociedade. Esse grupo como afirma o filósofo e seminarista jesuíta Bruno Franguelli, teve sua ima gem apagada lá pelo meio do século XVIII sendo expulsos do Brasil por motivos políticos da época. Nessa entrevista, Bruno além de nós falar um pouco da Companhia de Jesus, grupo ao qual pertence, aborda um pouco da religião como um todo e como esta vem sendo levada pela sociedade.

1)    Os jesuítas foram muito importantes para a história da humanidade, atuando principalmente catequisando os que necessitavam. Hoje qual é a principal atuação dos jesuítas no Brasil e no mundo?

Os jesuítas são os membros da ordem da Companhia de Jesus. É uma ordem universal que existe em quase todos os países do mundo. Uma ordem que num certo período da história foi a maior ordem da igreja Católica. Entenda ordem como um grupo de padres que tem um fundador. E os membros desse grupo de padres se reuniram e formaram essa ordem da Companhia de Jesus, assim como existem outras, os franciscanos, beneditinos. Mas aqui nós estamos falando de jesuítas. Jesuítas como eu disse é uma ordem universal e nós temos desde inicio da Companhia uma tradição que consiste no melhor formar para melhor servir. Nós estamos, por exemplo, é inseridos no mundo da cultura, ciência, do diálogo inter-religioso que é tão importante, né. Na esfera social, fazemos um trabalho com refugiados no mundo todo; no Brasil também nós temos algumas universidades, atuamos em centros de juventude, em centros pastorais, paróquias. Nós temos um carisma, melhor dizendo, cada ordem tem um carisma, os carmelitanos, por exemplo, trabalham mais com hospitais, os franciscanos tem um carisma maior em relação à pobreza. Nós jesuítas fomos fundados por Santo Inácio de Loyola, em 1540 e desde início nós estamos mais para a missão, nosso carisma é aquilo que mais necessita de nós, nosso lema tudo para a glória de Deus então nós estamos inseridos no mundo de hoje, com as questões de hoje. Portanto, qual a nossa missão? São as questões de hoje. O diálogo com Jesus Cristo principalmente, com outras culturas, o diálogo entre fé e razão. Como você pode ver o diálogo está em tudo. O jesuíta tem uma formação longa dentro da Igreja, em média quinze anos, enquanto um padre diocesano estuda em torno de nove ou dez anos, podendo ser até menos.

2)   Por que hoje em dia não se fala tanto desse grupo?

É verdade que você vai olhar para os livros de história e sempre você encontra os jesuítas lá, principalmente naquele momento do século XVI com a contra reforma, os jesuítas abraçaram o movimento, que de certa forma também era uma reforma na Igreja. Mas tipo, de fato você percebe na história do Brasil com o Anchieta vindo, fundando São Paulo, ajudando na fundação do Rio de Janeiro e toda a importância que eles tiveram na própria educação brasileira. Só que nós temos aí um momento histórico importante citar aqui que foi a expulsão dos jesuítas do Brasil em mais ou menos na metade do século XVIII. Os jesuítas foram expulsos do Brasil e depois preesos, ou seja, a Ordem Jesuíta no Brasil formalmente acabou na Igreja, por uma série de questões politicas da época. Nós voltamos depois, mas mesmo voltando com toda força, toda garra, isso pôde influenciar um pouco. Ora, os próprios livros de história depois dessa data falam muito pouco ou quase nada sobre os jesuítas. Resumindo, os jesuítas só se meteram em confusão (risos).No Rio Grande do Sul os jesuítas possuíam a missão dos Sete povos, a missão dos jesuítas , famosas, hoje só ruínas, mas na época era um agrupamento de indígenas que os jesuítas organizavam para defender os índios e com a expulsão dos jesuítas tudo isso acabou, os índios foram escravizados, por isso dizemos que existiam muitos interesses políticos por aí. Até a gente fala, se nós, os jesuítas não tivéssemos sido expulsos a educação do Brasil estaria a mesma? É uma pergunta.

3)   O número de jesuítas vem crescendo ou diminuindo? Por que isso acontece?

Então, de fato, nós temos hoje uma sociedade onde a religião não tem mais a primazia, então raramente você nasce numa família que te ensina a fé, que te chama a buscar a fé, preserva a fé, isso então tem uma influência, nessa questão. Não que Deus não chame, Deus continua chamando, mas se a gente não tem uma sensibilidade para ouvir a voz de Deus nós não temos condições de acolher, tá. O número de jesuítas vem diminuindo, mas não só dos jesuítas e sim de todas as vocações sacerdotais. É algo assintomático, que está aí, mas não é mundial, nós temos na América Latina, Europa e também nos EUA uma diminuição, mas na Ásia por exemplo, na índia nós temos um aumento imenso de vocações, por uma razão que não sabemos exatamente qual. Antes era a Europa que mandava missionários para cá, hoje ela vem pedindo missionários, então há uma mudança aí de eixo.

4)   Você acha que a mídia influencia nesse fato? Se sim, de que modo?

Nós temos hoje mídias, muitas mídias, se antes nós tínhamos o rádio, depois nós ganhamos a televisão, hoje a internet e enfim, temos uma conectividade muito grande com o todo, com o mundo, com a realidade, impressionante. É, tem uma influência, a mídia tem uma influência sobre nós, no nosso modo de agir, o que iremos vestir, em nossa cultura, nessa globalização e homogeneização da cultura que está acontecendo hoje. Temos também essas mídias católicas, que estão acontecendo hoje e de fato estão resgatando a fé, de uma certa maneira, nas pessoas e assim e tal. Mostrando um valor muito desvalorizado hoje. Mas é claro que a mídia hoje vem influenciando tanto positivamente como negativamente.

5)   Em sua opinião, as pessoas hoje têm mais dúvidas em relação à religião que pretendem seguir? Ou verdadeiramente escolhem pegar um pouquinho de cada religião criando desse modo um verdadeiro pluralismo religioso?

Então, esse é um fato muito interessante, como eu dizia para você nós não nascemos hoje, dificilmente numa família tradicional, existem sim, eu conheço muitas, mas é mais raro. Digo pela minha experiência, minha família é de tradição católica, mas não praticante. Hoje nós temos católicos praticantes, católicos não praticantes. Mas é católico ou não, não tem essa questão. Mas tipo, então, as pessoas buscam, o fato de você ser pessoa, já faz que você busque um sentido, que queira um sentido para sua existência e a religião oferece essa resposta, várias religiões oferecem essa resposta. Mas a resposta que eu aceito para a minha vida é o cristianismo, é Jesus, por isso eu sou cristão, e cristão católico, compreende. Mas eu vejo claro que as pessoas não compreendem, hoje nós temos uma busca religiosa muito grande, nós vemos as igrejas pentecostais lotadas, mas se perguntar para a  pessoa no que ela crer de fato, acho muito difícil ela  dizer para você qual é a profissão de fé dela. Que hoje  há uma usurpação da religião, esta é buscada não com um sentido profundo, mas muitas vezes como uma mera mercadoria de troca, de  querer milagres, de querer mudar de vida e até muitas vezes uma religião que se diz cristã se opõe a própria proposta do cristianismo que propõe por exemplo a pobreza, religiões que  se você for irá aumentar sua riqueza, conseguir mais carros, casas. Então, que cristianismo é esse? E as pessoas estão, cada vez mais, e em todas as classes sociais, não só as mais cultas e sim todas as classes sociais, elas estão em busca do sentido da vida e muitas vezes se equivocam, e perdem a fé por isso. Vejo aí de fato essa “confusão” que está acontecendo hoje. Depois você pergunta sobre o pluralismo religioso, o que eu chamaria de sincretismo religioso. De fato, as pessoas pegam aquilo que lhe convêm, o cristianismo é uma proposta que não deve ser pensada desse modo, simplesmente vai atrás por que lhe convém, Jesus oferece a cruz. E a cruz não é algo agradável, ela tem suas exigências, tem seus desafios. Algumas pessoas até querem o cristianismo, mas rejeitam a crus e de fato pegam elementos do cristianismo, elementos dentro, principalmente hoje, do esoterismo, de outras religiões, a chamada de “nova era”, pego um pouquinho de cada e faço um sincretismo, uma salada e assim eu dou um sentido para minha vida. Isso é questionável, respeitar a crença de cada um, porém é confuso.

6)   A religião católica tem feito algo para atrair os jovens?

Lembro-me quando na catequese, minha catequista falava “a Igreja só será jovem quando o jovem for Igreja”. É claro que a Igreja tem uma tradição longínqua, tradição que deve ser respeitada. Mas de um tempo para cá ela de fato tem se aberto a questão da juventude, não só para dar respostas, mas também para ouvir as perguntas. Hoje um avanço incrível, que deve ser considerado. Hoje nós temos movimentos incríveis da juventude, de jovens na Igreja. E o principal, que vai acontecer no Brasil, fica comprovado que é a Jornada Mundial da Juventude, o papa reunido com a juventude do mundo todo, que é um evento muito importante dessa busca que a Igreja vem fazendo da juventude. A Igreja vem se encontrando e tornando jovem a partir de tudo isso. É importante perceber e mostrar para a juventude que a Igreja não cheira mofo, os jovens acham que este negócio de Igreja é carola, e esta visão vem sendo mudada.

7)    A seu ver, qual deve ser a postura do católico perante a sociedade?

É uma pergunta bastante complexa. Primeiro, quando a gente fala de postura, falamos no modo de agir diante de toda a sociedade, nós temos aí uma sociedade fragmentada. Antes, se, por exemplo, nós nos encontrávamos na praça central na cidade, hoje nossa praça é a internet com todos nossos meios, isso de certa maneira, vem nos fragmentando de uma maneira que nós precisamos reagir. Qual é a postura? Costumo dizer que, não só eu mais o papa que a Igreja não é um conjunto de proibições, onde você não pode fazer, não pode fazer; isso a mídia muitas vezes coloca para gente. É uma afirmação positiva da fé, uma afirmação pela vida, não é um conjunto de normas, é um código de amor. Desse modo é uma afirmação, um sim que eu dou que o cristão dá para vida, um modo de vida. Uma coisa que acho importante dizer que o código de ética da Igreja é Jesus, é Jesus uma maneira de agir, olhando para ela, para o que ele fazia, as opções que ele tinha, o modo de agir diante de problemas da sociedade é o modo de agir do cristão. Sempre é necessário perguntar o que Jesus faria em meu lugar. Resumindo, uma postura critica diante da sociedade, não simplesmente uma postura que derrete, dissolve nessa sociedade e a qual temos que engolir. É uma postura crítica, de quem quer compreender a sociedade. Não é uma postura que vai de contra, que chega simplesmente com respostas prontas. Eu digo que evangelizar que anunciar o evangelho não consiste em dar grandes respostas, mas sim fazer grandes perguntas para sociedade. Não condenar, não proibir, não simplesmente pegar a Bíblia e falar assim está certo, errado, porque está escrito em tal passagem e tal. Hoje nós temos aí tantos temas, importantes para serem tratados, principalmente na questão da diversidade sexual, problemas em relação ao aborto, problemas relativos à moral, nosso papel simplesmente é fazer grandes perguntas.

8)   Podemos dizer que dentro da religião existe algo que é mais importante (a disseminação da palavra, as ações de cada fiel)?

Sim, o mais importante é a relação com Deus e com a comunidade. Cristianismo é a comunidade, ninguém é cristão sozinho. A relação com Deus, com a comunidade Igreja e hoje diálogo com as pessoas da sociedade, tanto os que estão espalhados em outras denominações cristãs como aqueles que não creem no Cristo. O cristão hoje é um homem de diálogo, de profundo diálogo.

Jesuíta

Filed under Entrevista

0 notes

Pesquisa revela que a China é a maior consumidora de madeira do mundo


O país estaria fazendo comércio ilegal de madeira proveniente principalmente de países africanos

Por Tayná Letícia

        Nesta quinta-feira (29) foi publicado pela Agência de Investigação Ambiental, organização não governamental do Reino Unido, que a China é a maior consumidora de madeira do mundo. Contribuindo muito para o desmatamento de florestas tropicais.comercio ilegal de madeira

        De acordo com a pesquisa, a China com sua economia crescente vem adquirindo madeira de origem duvidosa, já que necessita atingir seu enorme mercado interno. Diferente do que vem acontecendo com os EUA e União Europeia que vêm tomando medidas contra o desmatamento a China parece não se preocupar com questões ecológicas.

        Segundo a pesquisa realizada pela ONG a maioria da madeira ilegal vem das florestas tropicais do continente africano. Grupos criminosos estariam utilizando diferentes técnicas para garantir tal comércio, que vão desde falsificação de corte à invasão de sites do governo a fim de obter registros de concessões e alterar licenças.

        Medidas vêm sendo tomadas, foi criado um projeto piloto, financiado pelo governo da Noruega, para desenvolver um sistema internacional de combate ao crime organizado. Este visa fortalecer as investigações nacionais e centralizar a concessão de licenças. 

Filed under Notícia

0 notes

Mensalão: o escândalo do século na política brasileira

Julgamento do caso mais importante da história do STF, com destaque para                         Joaquim Barbosa, o novo herói nacional

Por Larissa Guedes

    Mensalão                                                

         O destino de 36 pessoas, dentre estas políticos, banqueiros e empresários, nas mãos de Ayres Britto, Cármen Lúcia, Celso de Mello, Cezar Peluso, Dias Toffoli, Gilmar Mendes, Luiz Fux, Joaquim Barbosa, Marco Aurélio Mello, Ricardo Lewandowski e Rosa Weber. O esquema de compra de votos de parlamentares começou a ser desmascarado em 2005 e agora todo o Brasil tem acompanhado o julgamento realizado pelo Supremo Tribunal Federal para determinar a culpabilidade dos réus. É o processo com o maior número de páginas da história do Tribunal – a Ação Penal (AP) 470, iniciada com 40 réus e autos com mais de 50 mil páginas.

         No dia 18 de maio de 2005, a revista ‘Veja’ publicou vídeo de Maurício Marinho, ex-funcionário dos Correios que tinha forte ligação com o ex-deputado federal Roberto Jefferson (PTB-RJ), em negociação de propina com empresas interessadas em participar de licitação do governo. Em junho do mesmo ano, Roberto Jefferson denunciou, à ‘Folha de São Paulo’, um esquema de pagamento de mesada de R$30 mil da cúpula do PT para que parlamentares aliados votassem a favor de projetos do governo. A CPI dos Correios passou a investigar o caso e o acusado de comandar o esquema, o até então ministro da Casa Civil, José Dirceu, renunciou ao cargo. A ex-secretária do empresário Marcos Valério, Fernanda Karina Somaggio, confirmou o envolvimento de seu ex-chefe com a cúpula do PT. Fernanda teria sido responsável por repassar o dinheiro aos congressistas. Agosto foi um mês de mais revelações. Depondo para a CPI dos Correios, o publicitário Duda Mendonça afirmou ter recebido dinheiro proveniente de caixa 2 e, a pedido de Marcos Valério, aberto, logo após, uma conta nas Bahamas. Depois, Valdemar da Costa Neto, Paulo Rocha, José Borba e Bispo Rodrigues também admitiram ter recebido dinheiro do esquema. No dia 12 de agosto, o então presidente Luís Inácio Lula da Silva, pronunciou-se em rede nacional negando conhecimento sobre o mensalão: “Quero dizer a vocês, com toda a franqueza, eu me sinto traído. Traído por práticas inaceitáveis das quais nunca tive conhecimento. Estou indignado pelas revelações que aparecem a cada dia, e que chocam o país. O PT foi criado justamente para fortalecer a ética na política e lutar ao lado do povo pobre e das camadas médias do nosso país. Eu não mudei e, tenho certeza, a mesma indignação que sinto é compartilhada pela grande maioria de todos aqueles que nos acompanharam nessa trajetória.” Em setembro, foi cassado o mandato de Roberto Jefferson, que também perdeu seus direitos políticos até 2015. O mesmo foi feito em relação a José Dirceu, em dezembro, mas este negou envolvimento com o esquema em discurso no Plenário da Câmara.

         Em março de 2006, o deputado João Magno foi absolvido pelo Plenário e seu mandato foi preservado. Em comemoração, a deputada Ângela Guadagnin fez a dança que ficou conhecida como “Dança da Pizza”. Houve também a absolvição dos deputados Professor Luizinho, Pedro Henry e João Paulo Cunha. Além de Roberto Jefferson e José Dirceu, Pedro Corrêa também teve seu mandato cassado. Em abril, Antônio Fernando de Souza, então procurador-geral da República, denunciou ao STF o esquema do mensalão com 40 envolvidos. Na lista, estavam ex-ministros, deputados e instituições financeiras.

         Em agosto de 2007, o Supremo Tribunal Federal iniciou o julgamento com a denúncia dos 40 acusados. O envolvimento com o esquema foi negado pelos advogados destes. Quatro anos depois, a Procuradoria Geral da República pediu a condenação de 36 dos 40 denunciados. Por falta de provas, foram excluídos da lista Luiz Gushiken e Antônio Lamas. Mais dois acusados também saíram: o ex-tesoureiro do PT, Silvio Pereira, depois de fazer acordo com o Ministério Público para que prestasse serviços à comunidade, e José Janene, ex-deputado morto em 2010.

         Em maio de 2012, o ministro Joaquim Barbosa, relator do processo do mensalão no STF, apresentou seu relatório sobre o caso. O Supremo decidiu como seria o julgamento, com cinco horas para o procurador fazer suas acusações. Os advogados dos réus fizeram uma petição para pedir que o Supremo não se sentisse pressionado para a análise do caso.

         Após mais de um mês de julgamento no Supremo Tribunal Federal, 25 dos 36 réus foram condenados. Treze irão cumprir, inicialmente, a pena em regime fechado, por terem penas maiores do que oito anos, conforme a lei. Dez cumprirão pena em regime semiaberto, podendo passar o dia trabalhando ou estudando, voltando para a prisão para dormir e passar os fins de semana. Outros dois puderam ter a pena de prisão trocada por penas alternativas: multas e suspensão do direito de exercer cargos públicos.

     Penas Fixadas


Papel de importância do ministro Joaquim Barbosa

         Joaquim Barbosa nasceu no dia 7 de outubro de 1954, em Paracatu, Minas Gerais. De origem pobre, Joaquim trabalhou, desde a infância, com o pai, ajudando a fazer tijolo e entregando lenha em caminhão velho da família. Gostava de ler, escrever, se interessava por outros idiomas e andava com o peito estufado, imitando pessoas importantes. Já dava para ver que ele se destacaria quando crescesse. Joaquim Barbosa não se sentia inferior aos ricos e brancos. Formou-se em Direito em Brasília, foi aprovado no concurso para oficial de chancelaria do Itamaraty e, mais tarde, em outro para procurador da república. Na Sorbonne, em Paris, fez doutorado e foi professor visitante na Universidade Colúmbia, na cidade de Nova York e também na Universidade da Califórnia. Domina, além do idioma português, o inglês, alemão, italiano e francês.

Joaquim Barbosa

         Joaquim Barbosa foi indicado para o cargo de ministro por Lula, integrando a Suprema Corte desde 25 de junho de 2003, quando tomou posse da cadeira de número 18 do Supremo Tribunal Federal. Seu papel no julgamento do mensalão é o que mais se destaca, pois é o relator do processo, conhecendo os mínimos detalhes do caso. Condenou réus como José Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares. Protagonizou enérgicos debates, com postura às vezes agressiva, adquirindo a imagem de herói em busca de justiça.

         No dia 22 de novembro, por volta das 15h30, Joaquim Barbosa foi oficialmente empossado como Presidente do Supremo Tribunal Federal e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), substituindo o ministro Ayres Britto. Barbosa é o primeiro ministro negro a tomar posse na presidência da Corte. O vice-presidente é o ministro Ricardo Lewandowski.

         Em discurso durante a posse de seu colega e amigo pessoal, o ministro Luiz Fux afirmou: É importante neste momento, eminente ministro Joaquim Barbosa, ressaltar a sua profícua contribuição para a construção de uma Suprema Corte de vanguarda, compremetida sobretudo com […] a consolidação das instituições democráticas.

Filed under Reportagem

0 notes

Uma amizade que ultrapassa as barreiras da repressão

Por Larissa Guedes

         Pureza. Esta é a palavra que traduz a essência do filme O Menino do Pijama Listrado. Lançado em 2008, com a direção de Mark Herman, tem o elenco estrelado por Asa Butterfield, Jack Scanlon, David Thewlis, Vera Farmiga e Rupert Friend. O filme é uma adaptação do livro de mesmo nome, do autor John Boyne.

         A história se passa na Alemanha, durante a Segunda Guerra Mundial. Bruno é um garoto que se muda com a família de Berlim para Auschwitz. Seu pai é um oficial nazista, promovido para diretor de um campo de concentração. Do seu quarto, vê algo parecido com uma fazenda e, movido pela curiosidade, vai até lá escondido. Conhece, então, Shmuel, um garoto de triste olhar. Ali surge uma amizade, apesar de que Shmuel vive do outro lado da cerca, sem poder sair, e está sempre usando um pijama listrado.

O Menino do Pijama Listrado

         A amizade cresce a cada dia, com visitas diárias de Bruno a Shmuel. Mas aquela situação passa a intrigar Bruno, que não entende a difícil situação do seu amigo e não obtém respostas dos seus pais. Ele não sabe que ali é um campo de concentração e que seu amigo Shmuel, judeu, já tem o destino decidido pelos oficiais de Hitler.

         A composição do cenário e a roupa dos personagens fazem uma ótima adequação ao tempo e espaço em que a história de passa. A ingenuidade dos protagonistas, crianças, é cativante. A história mostra a realidade do horror do nazismo, tendo um roteiro bem estruturado.

         Com um final trágico e, ao mesmo tempo, surpreendente, o filme O Menino do Pijama Listrado mostra o horror dos campos de concentração em contraste com a beleza de uma amizade. A inocência da curiosidade de uma criança é o que gera toda a história, mas o preconceito e a violência é a razão de seu desfecho.

Filed under Crítica